Raquel Marcondes Nogueira*
Já ouviu aquele ditado “é um trabalho de formiguinha”? Constatei que, em se tratando de leitura de livros paradidáticos, esse ditado se confirma. Faz 5 anos que implantamos uma aula de leitura no Ensino Fundamental II do Colégio Módulo. Só de leitura. Durante esta aula levamos uma estante móvel para a sala de aula com mais de 200 títulos, o nosso “carrinho literário”, para que os alunos possam escolher qualquer livro e apenas ler! No início, não parecia ser tão simples assim. Havia uma recusa, certo temor por parte deles diante daquele objeto aparentemente inanimado. Insistíamos, não deixávamos a conversa tomar conta da aula sagrada de leitura, até que os vencíamos pelo cansaço e eles abriam a primeira, depois a segunda e a terceira página do livro e se aventuravam pela magia das histórias. Hoje, quando ouço meus alunos cobrando-me a aula de leitura e quando os vejo de fato lendo, chego a emocionar-me.
Conto esta experiência, pois sei - aliás, todos sabemos - que a leitura é fundamental para a formação e informação de uma pessoa. Qualquer tipo de leitura. A pessoa que lê mais tem maior facilidade de concentração, raciocínio, argumentação, redação, interpretação, enfim, essa atividade só traz benefícios. Mas como incutir esse hábito dentro de casa?
Pais leitores têm filhos leitores. Muitos pais me perguntam como fazer para seus filhos se interessarem por esse universo. Primeiro é importante que se tenha livros em casa. Se for possível, é interessante ter sempre jornal ou revista que atraiam os jovens. Mas se nada disso estiver à mão, sempre há a internet, que longe de ser a vilã que muitos pais possam acreditar, é um ambiente de muita informação e de leitura agradável.
Investigue, pesquise, selecione informações, sites, notícias que possam agradar ao seu filho. É óbvio que a maioria dos adolescentes não vai se interessar pela política monetária norte-americana a princípio, mas talvez eles se interessem por descobertas científicas, por esportes, por programas culturais. Aos poucos, vá mostrando outras alternativas e assim vá incutindo esse universo no universo de seu filho. Aliado a tudo isso, que tal reservar um tempinho para ler junto ou para ler para o seu filho? Quer maior relação de cumplicidade que essa? Como eu disse lá no início: é trabalho de formiguinha, mas ajuda tanto!
*Raquel Marcondes Nogueira é professora de Português do Colégio Módulo. Com formação em Letras - Português/Linguística pela Universidade de São Paulo e mestrado em Filologia e Língua Portuguesa pela mesma Universidade.